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  • Carla Brandão

FIM DE PAPO


Mudei tudo para escrever sobre o fim.


Domingo, fiquei estarrecida com a notícia do incêndio no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Visitei esse lugar algumas vezes, muitas delas , com minha tia querida, que também era minha madrinha e professora. A companhia dela fazia o passeio ter sons, aromas, diversão.


Quando vi as chamas, logo percebi o prenúncio do fim.


Na mesma noite, recebo um vídeo pelo whatsapp. Não curto muito ver esses vídeos, mas, nos primeiros 30 segundos, já fui fisgada pelo tema... a morte.


A especialista fala de forma tão clara e direta sobre o tema, que me chamou atenção. Ana Cláudia Quintana Arantes fala de espiritualidade, envelhecimento, escolhas, relacionamentos e sofrimento. Recomendo, mesmo pesquisar sobre ela.


Museu Nacional - Fim de 200 anos de história

Como digo, nada chega até nós por acaso. E faço uma reflexão.


Segundo essa médica, no Brasil, morrem um milhão e cem mil pessoas anualmente. Cerca de 800 mil delas morrem de morte anunciada, de doenças crônicas. Essas mesmas pessoas, podem redimensionar a própria existência no momento em que se deparam com o prenúncio do fim.


Aí eu te pergunto. Por que será que precisamos da má notícia para acreditar que tudo é finito?


Precisamos que um museu pegue fogo em rede nacional para todo mundo acordar para o que já estava anunciado desde 2014. Precisamos que um médico nos dê a notícia de um diagnóstico fatal para percebermos que temos pouco tempo para viver.


O fato é que não sabemos lidar com o fim, mas também não temos a menor maturidade para lidar com o meio. Dar continuidade é a pior parte, cansa, enche o saco, não tem graça, não traz endorfina, etc. No ritmo frenético que vamos tocando a vida, queremos mesmo um flash por dia, uma novidade por semana, uma mudança por mês, um novo ânimo por ano... e esquecemos do que conquistamos e nos deu base até aqui.


Um museu nacional é a ponte, a continuidade. E por que nos indignamos com o fim de um museu e não temos o mesmo comportamento quando sabemos que temos que cuidar de nossas vidas como cuidamos de um museu, para durarmos com beleza e prontidão sem as mazelas de uma velhice esquecida?


Portanto, o fim não precisa ser deprimente. Todos teremos que passar por isso. Como cuidamos dessa ponte é que determina o roteiro desse longo filme que é a presença, a vida.



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